Estratégia, cenário e perspectivas

Diante de um cenário econômico desafiador, a Companhia aposta em controle de custos, investimento responsável no negócio e geração de valor permanente

Desafiador é como pode ser definido 2014 para diversos setores da economia, ano em que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu apenas 0,1%, abaixo dos 2,5% do período anterior – o pior resultado desde 2009. A previsão para o PIB de 2015 é de crescimento próximo de zero ou retração. Paralelamente, a inflação acumulada em 2014 alcançou 6,41%.

Com relação à balança comercial, o ano também teve resultado negativo, com deficit de US$ 3,93 bilhões, ante superavit de US$ 2,38 bilhões no ano anterior. Desse modo, o ritmo de importações foi superior ao de exportações, reflexo da desaceleração da economia.

Tais resultados, combinados com a retração do consumo e a conjuntura externa instável, refletem-se diretamente na produção industrial e nos fluxos comerciais – eixo que afeta a movimentação de carga, nas operações logísticas e portuárias, e de veículos de carga, nas estradas do País.

Segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), em 2014 o tráfego em rodovias concedidas à iniciativa privada cresceu 2,4%, com aumento de 4,2% em veículos leves e recuo de 2,6% no fluxo de veículos pesados.

O resultado reflete a tendência de queda na produção industrial, notada ao longo de todo o ano e prevista para 2015, em contraposição ao bom desempenho de veículos leves. Outro importante fator de influência foi a Copa do Mundo, que afetou negativamente o movimento de veículos pesados no segundo trimestre.

No entanto, o cenário macroeconômico desfavorável não impediu que o Grupo EcoRodovias mantivesse os investimentos nas áreas rodoviária e portuária. A Companhia entende que os setores de infraestrutura e logística nos País, em especial, ainda não são capazes de atender ao grande fluxo de importação e exportação de bens de consumo e commodities agrícolas – a safra 2013/2014 alcançou o volume relevante de 193,4 milhões de toneladas de grãos.

Investir em infraestrutura e logística é, portanto, uma necessidade para o aumento da competitividade do Brasil e para construir um ambiente econômico atrativo para o setor privado – o que faz de concessionárias de rodovias e operadoras de terminais portuários parceiros estratégicos do governo federal, mesmo em cenários de desaceleração do crescimento.

Não por menos, a melhoria dos corredores de comércio exterior – estradas, aeroportos e portos – continua como prioridade estratégica do governo. Sozinho, o programa federal de concessões em infraestrutura contempla investimentos de mais de R$ 200 bilhões, entre 2012 e 2015, com foco na construção de rotas para ampliar a eficiência no embarque de grãos, minério de ferro e outras commodities. Outra perspectiva para a empresa está no âmbito dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na ordem de R$ 370 bilhões alocados para a área de transportes nos próximos 30 anos.

Esse cenário faz com que a empresa fortaleça o foco na conquista de novas concessões e na aquisição de novos negócios. Em 2015, o Grupo espera participar de leilões federais para concessões estratégicas, buscando oportunidades de mercado nos segmentos de rodovias, logística e aeroportos, e, também, em aditivos contratuais. Durante o ano de 2014, a participação em diversos leilões permitiu à Companhia obter insumos para aprimorar sua participação em concorrências federais, garantindo a competitividade, a postura seletiva diante das oportunidades e o controle da viabilidade econômico-financeira de suas propostas.

A expectativa para os próximos anos é manter a tendência da organização de atuar na obtenção de trechos essenciais para o comércio exterior e para o turismo no País.

R$ 200 bilhões
investidos em programa federal de concessões em infraestrutura (2012-2015)

2,4%
foi o crescimento de tráfego em rodovias concedidas à iniciativa privada em 2014

 

Planejamento estratégico

GRI G4-2

A fim de garantir um olhar de longo prazo para os seus negócios, tornando-os menos sensíveis às oscilações econômicas e de mercado e mais sintonizados com as tendências dos setores logístico e rodoviário, o Grupo EcoRodovias possui metodologia própria para definição do Plano Estratégico, atualmente focado em um período que se estende de 2015 até o ano de 2025.

Esse trabalho, coordenado pelo Comitê de Estratégia e Gestão, em parceria com a alta liderança, projeta e monitora o desempenho da Companhia e avalia estudos sobre as atividades atuais e potenciais, a fim de mapear riscos, oportunidades e focos de investimento. Com reuniões a cada dois meses, o grupo discute propostas, projetos e avalia o interesse da EcoRodovias em participar de concorrências e leilões, além de examinar potenciais aquisições de negócios.

Outra importante ferramenta para o planejamento é o Valor Econômico Agregado (EVA, na sigla em inglês), indicador utilizado para mensurar a criação de valor da Companhia. O objetivo é avaliar alternativas de estrutura de capital e de recursos aplicados e contribuir para o alinhamento da visão dos gestores nas tomadas de decisões.

A ferramenta de gestão estratégica atualmente utilizada se desdobra em seis estágios, cíclicos e interconectados, descritos a seguir.

  • Desenho da estratégia. Neste primeiro estágio, os conselheiros e executivos desenvolvem a estratégia corporativa e traçam a visão de futuro. Para isso, o Grupo se vale de um conjunto de ferramentas, incluindo a avaliação de ambiente externo (considerando as dimensões econômica, política, legal, regulatória, ambiental, social e tecnológica) e interno e levando em consideração capitais humano e tecnológico, sistemas organizacionais e de gestão e aspectos de cultura, governança, riscos e sustentabilidade. Os resultados são consolidados dentro de uma matriz de ameaças, oportunidades, fraquezas e forças (SWOT) e resultam na proposta de valor.
  • Planejamento e objetivos. Nesta etapa, a empresa traduz o planejamento da estratégia em um conjunto de objetivos específicos, mensuráveis e organizados por temas e responsáveis. A execução desses objetivos é baseada em indicadores, iniciativas, planos de ação e orçamentos.
  • Alinhamento para a execução. As unidades de negócio passam por alinhamentos e ações de apoio, a fim de engajar colaboradores da EcoRodovias na estratégia. Para isso, são formulados planos de metas individuais – atrelados ao plano de remuneração – e objetivos conjuntos. Nesse terceiro estágio, ocorre a elaboração de Planos Estratégicos e indicadores (Balanced Scorecard) que influenciam as áreas corporativa, de concessões de rodovias, de portos e de logística.
  • Operações e orçamentos. Nesta fase, são elaborados os planos operacionais e de vendas e o dimensionamento das capacidades e das equipes de operação, engenharia e atendimento em cada unidade de negócio, com a construção de um orçamento próprio para que cada empresa execute, monitore e seja avaliada sobre seu desempenho.
  • Monitoramento e aprendizagem. No quinto estágio, fóruns de discussão – como reuniões do Conselho de Administração, da Diretoria Executiva e de comitês – analisam o progresso na execução da estratégia e avaliam oportunidades de melhoria.
  • Teste e adaptação. Por fim, são realizadas discussões práticas para adaptar a estratégia, por meio de alterações nos ambientes externos e internos e nas relações com clientes, parceiros e fornecedores e da análise dos resultados obtidos, visando à sustentabilidade e à perenidade dos negócios. Com tais referências em mãos, o Grupo está pronto para iniciar um novo ciclo de formulação da estratégia.

Diferenciais competitivos

Distribuídos pelos principais corredores de turismo e comércio exterior do Sul e Sudeste, os serviços da EcoRodovias compõem uma rede vigorosa de transporte multimodal no País. A Companhia está presente na tríplice fronteira , entre Argentina, Brasil e Paraguai, uma das principais rotas comerciais do Mercosul, conecta Curitiba ao Porto de Paranaguá e administra algumas das mais importantes rodovias do estado de São Paulo, que faz a ligação com o litoral norte e o Vale do Paraíba.

O Grupo também mantém a concessão da principal ligação de São Paulo com a Baixada Santista, onde está localizado o Ecoporto Santos e ativos importantes, como unidades alfandegadas e plataformas logísticas.

Mais recente aquisição da EcoRodovias, a ECO101 administra um trecho extenso da BR-101, uma das rodovias mais importantes do Brasil, entre o sul da Bahia e a divisa entre Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Além da intensa movimentação de turistas, especialmente na costa capixaba, as estradas interligam alguns dos portos mais importantes da região, como o de Tubarão e o de Ilhéus, atuando a favor da diversificação das fontes de receita da Companhia, com foco no transporte de cargas e no turismo.

Em 2014, mais de R$ 200 milhões foram investidos em melhorias em toda a extensão da ECO101. Além da duplicação do trecho prevista em contrato, a EcoRodovias prevê obras de pavimentação, sinalização e modernização de equipamentos de assistência. Como reflexo dos investimentos, o ano foi de diminuição recorde no volume de acidentes fatais (veja destaque).

Outro foco estratégico é o braço logístico e portuário, alvo de investimentos nos últimos seis anos, a fim de trazer perenidade ao negócio. Por meio da Elog, administrada há quatro anos, e do Ecoporto Santos, desde 2012, o Grupo oferece soluções integradas e customizadas a clientes de diversos setores, contribuindo para o desenvolvimento da indústria do País.

A estrutura continua composta de 14 unidades de negócio, que incluem a operação de dez licenças alfandegadas, localizadas estrategicamente próximo das fronteiras do Sul brasileiro e nas regiões metropolitanas de Campinas, São Paulo e Santos.

A perspectiva para o longo prazo é aumentar o número de plataformas logísticas e ampliar os serviços de maior valor agregado – a exemplo dos serviços integrados entre armazéns de carga, transportes, recintos alfandegados e distribuição de produtos –, dentro de um modelo integrado de gestão.

Como havia sido previsto, 2014 foi um ano de concorrência acirrada para o Ecoporto Santos, com a entrada de novos players no Porto de Santos e um cenário de desaceleração da economia, com impactos em importações e exportações. Em função disso, a unidade registrou baixo desempenho e passa por revisão de planos de negócios em 2015, a fim de reforçar seus diferenciais competitivos na armazenagem e distribuição de cargas.

No primeiro ano de funcionamento da concessão, a ECO101 investiu mais de R$ 200 milhões em melhorias na rodovia BR-101.

Resultados positivos

A ECO101 já registrou bons resultados nos índices de acidentes, pouco mais de um ano após o início da concessão. Em 2014, houve queda de 14% no número de óbitos, em comparação com o ano anterior. Durante o ano, foram realizados 432.151 atendimentos.

Investimentos em ampliação dos novos negócios, conservação de rodovias e segurança no tráfego são essenciais para a manutenção da estratégia.